Eu vivo com a cômoda e plena certeza de não ser nada nesse mundo. Poderia ter o maior cargo existente da galáxia, mas continuaria sendo porra nenhuma. Dentro de mim eu sou tudo e é daí que vem a calma. A calma vem da agitação aqui dentro. A calmaria controla toda a tempestade que se passa no meu peito e não deixa transpassar sequer um raio de luz das grandes explosões.
De vez em quando, quando um raio desses fica sobrando no meu rosto, ele se manifesta pelos olhos, pende por lá as vezes sem ser notado. Sem demora, em menos de 24 horas ele escorre pelo meu rosto, passa pelo queixo, pescoço, peito, barriga, quadril, pernas e, pelo contato dos meus dedos do pé com o chão, se vai.
Enquanto isso (BOOM, POP, BLAM), mais coisas estouram por dentro. Os estouros são ritmados. Cada um por vez, acompanham a batida do coração, um por sístole.
Por menos que eu queira, eu sei de onde vêm esses estouros. Cada um desses fogos de artifício é estocado por mim mesma no mais profundo canto do meu interior. Mas eu nunca os acendo: os fogos entram em combustão espontânea. Quanto mais velhos, maior a explosão e, logo, maior o estrago.
Eu não tenho medo do que pode acontecer se eles continuarem explodindo. Tenho medo do que pode acontecer se eu deixar que vazem.