
Amanhã começa a última semana do outono, então entramos no Inverno e é nesse solstício que coisas impossiveis podem acontecer. Alguns chamam de sorte grande, outros de coincidencia e outros, de mágia. E está certo quem acredita na magia.
Eu era jovem quando descrobri isso, na escola, aprendi em geografia sobre solstícios e equinócios e acabei me interessando, desde então, marcava as datas no meu calendário.
Em 4 anos, percebi que todos os solstícios de inverno que haviam passado foram dias especiais, talvez os melhores dos anos em que aconteceram. Não foram dias diferentes de qualquer outro, foram dias normais, onde uma energia positiva pairava pelo ar. Me lembro do dia 21 de Junho de 1998, que, apesar de ter quebrado um braço e um dedo do pé, foi o melhor dia do meu ano. Como é o dia mais curto, eu tinha que aproveitar o sol enquanto ainda brilhava, acordava quando ele raiava e só ia dormir quando a lua já reinava por um tempo.
Comecei então a pesquisar sobre o assunto, sobre a tal energia que me envolvia. Descobri que não era a única a se sentir assim, descobri pessoas que também pesquisavam sobre o assunto. Descobri que várias religiões faziam dessa data uma tradição.
Acabei por amar o dia, o espero o ano inteiro e então, faço coisas das quais não tenho coragem. Hoje, estou velha, não posso mais fazer coisas que tenho medo pois minhas pernas me incapacitam.
As vezes penso se não estou errada sobre isso, as vezes me convenço de que magia não existe, que tudo aquilo foi coincidência. Então me lembro dos meus dias de magia, e tenho certeza de que, sendo mágicos ou não, ainda serão meus dias perfeitos de solstício de Inverno.
Inverno
pequeno amor - continuação

As coisas mudaram. Eu mudei... Mudei muito, e não preciso que acreditem na minha mudança para que eu tenha mudado. Não me importo com opiniões. Os papéis mudaram, um pouco, agora eu tinha 16 anos. Acho que era graças àquilo que eu tinha ficado assim, virei uma pessoa seca e minhas esperanças para coisas boas eram poucas. Afinal, ele tinha feito uma promessa, e eu cumpri a minha. Naquela época, com meus 7 anos, acharam que eu tinha câncer. É, câncer. Foi por isso que ele estava tão preocupado. Mas, mesmo assim, o suposto câncer não era nada. Me cuidei, cumpri minha promessa, esperando que ele cumprisse a dele.
E era por isso que eu não confiava nas pessoas. Não consiguia confiar em promessas. Não consiguia manter bons relacionamentos. Tinha amigas, claro, mas estou falando de meninos.
Cheguei a achar que nada ia mudar, que continuaria daquele jeito para sempre.
Até um dia, quando minha irmã mais nova veio me contar sobre nosso novo vizinho. Disse que ele era bonito e muito querido e eu, claro, disse para ela não se apaixonar por ele.
Mas eu havia me interessado, eu era seca, mas não sem sentimentos. Saí de casa à procura do tal vizinho, quando me deparei com ele. É, era ele, ninguém mais, ninguém menos. Ele me olhou com olhos sorridentes e surpresos e eu lancei um olhar de desprezo para ele.
Então, afinal, pessoas cumprem promessas...
continua
once upon a time